
Milhares de estudantes participam de protestos por todo o país, neste dia 30 de maio, contra o corte de R$ 5,8 bilhões no orçamento da Educação, realizados pelo governo Bolsonaro. O bloqueio atinge diretamente as verbas de custeio, o que inviabiliza as instituições federais de ensino.
Os atos foram convocados pela União Nacional dos Estudantes (UNE), pela União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e pela Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), além de entidades e movimentos de cientistas e pesquisadores. Os novos protestos ocorrem 15 dias após a Greve Nacional em Defesa da Educação, realizada por estudantes, professores e trabalhadores do ensino que levou mais de 2 milhões de pessoas às ruas de mais de 140 municípios brasileiros.
Ao menos 50 cidades de 18 estados e do Distrito Federal haviam realizado manifestações na parte da manhã. Atos nas capitais de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e Rio Grande do Sul estão previstos para o fim do dia.
BAHIA
Em Salvador, a manifestação, que foi iniciada na parte da manhã, reúne mais de 30 mil pessoas que seguem agora em direção à Praça Castro Alves.

Para a professora Débora Ireuda os cortes de Bolsonaro são uma “retaliação aos espaços do pensamento crítico”. “Nenhum país consegue avançar sem investimento na educação. A gente sabe da crise, mas não é com corte da Educação que vai resolver”, pontuou, em entrevista ao Bahia Notícias.
Para ela, a chuva, que caiu na manhã desta quinta, não vai atrapalhar o protesto. “Pode chover, pode inundar, mas a rua vai lutar”, brincou. Farmacêutico da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Maurício Tavares endossou o discurso contra o bloqueio de recursos.
Perguntado se acha que o protesto terá efeito real, respondeu: “se não tiver, é pior”. “Essa é uma luta justa”, frisou. O estudante de Odontologia da Ufba, Geovane Santos, pediu que “as famílias abracem a luta” dos docentes e discentes. “A universidade não é só nossa. É de todos”, destacou.
Na Bahia, milhares de estudantes também foram às ruas em outros municípios, como Feira de Santana e Vitória da Conquista.
Vitória da Conquista:
DF
Na capital federal, mais de 20 mil estudantes se concentraram em frente ao Museu Nacional da República, na Esplanada dos Ministérios. Após negociação com a PM-DF, os estudantes seguiram no sentido Praça dos Três Poderes.

Matheus Alves/ Cuca da UNE
Veja imagens da concentração dos estudantes em Brasília:
A estudante de design da Universidade de Brasília (UnB), Stephanie Maia, 25 anos, também empunhou um cartaz contra os cortes. “Estamos descontentes. As universidades precisam de verba, de investimento, não de retrocesso. Aquele ministro não é capaz de gerir uma pasta tão importante como o MEC”, disse Stephanie ao Correio Brasiliense.
O designer Pedro Joffily, 23 anos, formado pela UnB, também veio apoiar o evento. “Precisamos mostrar que tem muita gente que acha que o que Bolsonaro está fazendo não é correto. Sem educação o país não vai para frente. Ele disse que ia investir na educação, mas está fazendo o contrário. Também sou contra a reforma da Previdência”, ressalta.
São Paulo
No interior de São Paulo, o protesto em Ribeirão Preto ocorreu em frente ao campus da USP e durou duas horas. Manifestantes distribuíram panfletos e exibiram cartazes e faixas com frases como “Sem investimento não haverá conhecimento” e “A educação resiste”. Houve bloqueio de uma via na entrada da instituição, o que deixou o trânsito lento perto da universidade.

Em São Carlos, estudantes, professores e servidores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto Federal de São Paulo (IFSP) saíram em passeata direção ao Centro da cidade. Houve paralisação na UFScar, segundo a associação de professores, mas a assessoria de imprensa da universidade informou que a adesão é uma decisão pessoal e que a instituição funciona normalmente.
Veja vídeo do ato em São Carlos:
Em Araraquara, um grupo de estudantes protestou na portaria do campus da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Eles permitiram a entrada de funcionários terceirizados e alunos que desenvolvem algum tipo de pesquisa científica.
Em Tupã, estudantes e moradores participaram de uma mobilização na frente do campus do Instituto Federal de São Paulo (IFSP). Pais e professores também se juntaram ao ato, numa aula aberta que começou por volta de 7h30.
Em Itaquaquecetuba, estudantes, professores e líderes de movimentos fizeram aula pública na praça Padre João Álvares.
Pernambuco
Em Caruaru, o ato pela educação também incluiu a pauta contra a reforma da Previdência. Professores, alunos e representantes de partidos e associações participaram do movimento e saíram em caminhada pelas principais ruas do Centro segurando cartazes e gritando palavras de ordem.
O campus de Caruaru do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) aprovou a paralisação das aulas nesta quinta. No campus da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), cada professor irá decidir se dará aula ou não.
Piauí
Em Teresina, um grupo de manifestantes se reuniu na Praça da Liberdade, no Centro de capital piauiense, e saiu em passeata pelas ruas. Professores da Universidade Federal do Piauí informaram que aderiram à greve, e há a previsão de que algumas aulas sejam suspensas nesta quinta.
Sergipe
Em Sergipe, um grupo de estudantes fechou o principal acesso do campus da Universidade Federal de Sergipe (UFS) no município de São Cristóvão (SE). As audiências no Fórum Prof. Gonçalo Rollemberg Leite, localizado dentro do campus, foram suspensas porque os magistrados, servidores, advogados e os jurisdicionados foram impedidos de entrar na unidade.
Ceará
No Ceará, até por volta de 10h30, ao menos cinco cidades do interior tiveram atos pela educação. Manifestantes protestam em Iguatu, Itapipoca, Itarema, Redenção, Juazeiro do Norte, Barbalha e Quixadá. O ato em Fortaleza será realizado à tarde.

Acre
São Luís
Uma exposição de projetos de pesquisa acadêmica desenvolvidos em quatro instituições de ensino federais e estaduais foi instalada na Praça Deodoro, no centro, onde há a concentração para a caminhada agendada para as 15h. Entre as atividades que estão sendo oferecidas à população que passa pelo local, é possível simular o cálculo de tempo para aposentadoria caso as novas regras propostas sejam aprovadas pelo Congresso Nacional.

Também na capital maranhense, um grupo de estudantes universitários se concentrou em frente à Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Entre as 6h30 e as 9h30, os estudantes bloquearam o acesso ao campus, com exceção do ingresso de funcionários do Instituto Médico-Legal (IML) e dos participantes de um evento acadêmico e de um concurso público cuja prova está sendo aplicada no local. Os estudantes também distribuíram panfletos explicando a motivação dos atos que ocorrem em todo o país. Em nota, a reitoria da UFMA apoia as manifestações, classificando-as como “um marco histórico fundamental para que se reveja essa decisão e se compreenda que a educação é um investimento no futuro do país e a possibilidade de desenvolvimento social, cultural, tecnológico e humano”. A reitoria sugere que nenhuma atividade acadêmica que inviabilize a participação dos estudantes, técnicos-administrativos e docentes da instituição seja realizada durante o dia.
Leia também: Dos EUA, Bolsonaro chama estudantes de “idiotas úteis”
O dia 15 de maio foi marcado como o primeiro grande protesto contra a política de arrocho do governo. Ao avaliar o ato, Bolsonaro – que se encontrava nos Estados Unidos, chamou os manifestantes de “idiotas úteis”.
“Em vez de servir para que o governo pudesse reverter os cortes, nós fomos altamente desrespeitados pelo presidente da República”, considerou Marianna Dias, presidente da UNE.
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